Atualmente,
com os grandes avanços da tecnologia, questiona-se sobre a insuficiência de
regras em vigor e a consequente necessidade de se elaborar um conjunto
normativo especializado no trato das relações estabelecidas na internet, capaz
de oferecer uma maior segurança jurídica tanto para os particulares quanto para
o Estado. Não obstante a dificuldade de se conciliar interesses tão diversos
como os presentes na rede – políticos, sociais e econômicos, tal norma deverá
conter, em sua essência, a busca pela tutela integral dos direitos do ser
humano, protegendo a extensão de seu corpo e personalidade no espaço digital.
Nesta
lógica, desde 2009, trabalha-se no sentido da elaboração de uma lei sobre
internet que possua redação dinâmica e aberta, capaz de evitar que o texto se
torne, rapidamente, letra morta ou de aplicação reduzida. Assim, surgiu o Marco
Civil da Internet (ou projeto de lei nº 2.126/2011) relatado pelo deputado
Alessandro Molon. Tendo como base os princípios da liberdade
de expressão e da neutralidade da rede, ele aborda temas de grande relevância,
mas grande polêmica, como a privacidade de dados dos usuários, o grau de
vigilância e responsabilidade dos provedores de internet, a guarda de registros
e o tratamento que deve ser conferido aos pacotes de dados.
Vale
destacar que, de forma inédita, no Brasil, foi possível uma ampla discussão
acerca de um projeto de lei, a qual se deu tanto no ambiente físico (por meio
de audiências públicas e debates) quanto no ambiente virtual (através da
contribuição direta de qualquer interessado sobre o tema, em site específico). Podemos
encontrar toda a movimentação legislativa, principais documentos e a redação
atual do Marco Civil da Internet em um site de fácil acesso para a população: <http://edemocracia.camara.gov.br/web/marco-civil-da-internet>.
Trata-se de um projeto que vale a pena ser acompanhado!
No
momento, o Marco Civil da Internet encontra-se na Câmara dos deputados, em
regime de tramitação de urgência, sujeito à
apreciação do plenário. Contudo, até então, é difícil delimitar o momento em
que de fato ele será levado à votação, mesmo que, nos últimos dias, tenham sido
publicadas notícias afirmando que isso ocorrerá em breve (talvez a polêmica envolvendo
a espionagem norte-americana tenha algo a ver com isso... talvez as grandes
empresas estrangeiras que gerenciam os provedores tenham gostado tanto de
algumas disposições que preferem ter essa lei logo em vigor...).
É claro que a votação de um projeto que envolve questões e
concessões de cunho político não é algo simples, precisa de apoio. Temos na
balança tanto
os interesses econômicos dos provedores, cujas atividades são essenciais ao
funcionamento da rede, quanto os direitos dos usuários finais da internet,
consumidores de serviços complexos, que muitas vezes, por desconhecerem as
especificidades do sistema, colocam-se em risco e sofrem danos existenciais.
Neste
link, podemos encontrar a última versão do texto do Marco Civil da Internet <http://edemocracia.camara.gov.br/web/marco-civil-da-internet/andamento-do-projeto/-/blogs/conheca-a-ultima-versao-do-relatorio-do-marco-civil-11-7#.UhggnRsskco>
.
O
que vocês acharam? Quais interesses DE FATO parecem predominar neste Marco? Esse texto realmente será capaz de lidar com os avanços das relações travadas na internet?

Olá!!
ResponderExcluirGostei muito do assunto que você propôs aqui no seu Blog. Muito atual e necessário.
Acho que a internet brasileira precisa urgente de um marco regulatório civil que defina claramente as regras e responsabilidades com relação a usuários, empresas e conteúdos (arquivos e bancos de dados). Esse seria o primeiro passo antes da regulamentação do cibercrime aqui no Brasil.
Em julho deste ano, o Brasil foi alvo de espionagem eletrônica pelos E.U.A, o que fez com que esse assunto ficasse em evidência maior no mundo todo. Diante deste episódio, a Presidenta Dilma afirmou que a aprovação do Marco Civil da Internet seria uma prioridade para o governo federal ainda para este ano. Vamos aguardar, né?!
Outros assuntos que estão envolvidos diretamente em relação a este assunto me parecem ser também: inovação, propriedade intelectual, patentes e hackeamento eletrônico.
E a nível internacional, muitos outros países já estão elaborando normas, leis e textos sobre o assunto. Eu li recentemente que nas Filipinas, por exemplo, já está na pauta do Congresso, prestes a ser aprovada a Magna Carta para a Liberdade na Internet, na qual são abordados temas sobre liberdade de expressão, acesso universal, inovação, privacidade e até mesmo tráfico de pessoas.
Acho que poderia ser criado também um Acordo Internacional sobre Crimes Cibernéticos. Seria um avanço em escala mundial.
Abraços.